Nos Estados Unidos, estudantes da Universidade da Califórnia organizam uma grande mobilização em defesa da Educação pública e contra a privatização, no dia 04 de março. Trata-se da continuidade de uma luta que começou em setembro de 2009, quando ocorreram os maiores protestos estudantis desde a década de 1960.
"Caros companheiros e companheiras,
Recebi com alegria a notícia da mobilização que vocês estão propondo realizar, no dia 04 de março deste ano, em defesa da educação pública e contra as privatizações, no quadro da preparação para a jornada internacional contra as guerras e a exploração. Num momento em que assistimos a profunda crise do sistema capitalista, que ataca diretamente a juventude lançando-a no desemprego, na miséria, só a luta da juventude organizada pode ajudar no combate pelo direito a um futuro!
No Brasil, a situação da educação também exige de nós lutas constantes e bastante organização. Milhares de jovens não tem acesso às universidades, e mesmo os poucos que tem, muitas vezes passam por dificuldades para permanecer estudando, em decorrência da ausência de uma assistência estudantil, e dos altos custos para estudar, com gastos com alimentação, transporte, livros e etc. Em muitas universidades faltam professores, funcionários e laboratórios.
Isso tudo decorre da falta de investimentos públicos. Enquanto investe pouco em educação o governo não poupa esforços para oferecer milhões aos bancos, reduz os impostos para grandes empresas, provocando uma queda de arrecadação, cujo dinheiro deveria se destinar a investimentos em educação e saúde. Como é possível observar nos jornais, essa não é uma política desenvolvida apenas no Brasil, mas em quase todo o mundo. É uma política desesperada do sistema capitalista, para tentar salva-lo, mesmo que seja as custas da destruição dos serviços públicos e de milhões de vidas.
Neste momento mesmo, os governos do Brasil, dos Estados Unidos e de vários outros países gastam milhões de dólares para manter uma ocupação no Haiti, atacando a população e a soberania da nação haitiana. Preferem investir na guerra para fazer lucrar as grandes corporações, do que investir na melhoria da vida da população. É isso que esse sistema tem a oferecer. E só a luta pode oferecer uma saída.
E essa luta precisa da colaboração entre os jovens do mundo inteiro. Por isso saúdo a mobilização que vocês preparam e afirmo: vocês não estão sozinhos! Faremos todos os esforços necessários para mobilizar os jovens no Brasil para realizar atividades como a que vocês propuseram!
Saudações fraternas,
Luã Cupolillo
Diretor da União Nacional dos Estudantes (organização sindical de estudantes universitários)
Membro do conselho nacional da Juventude Revolução – IRJ.
Brasil."
"É com total alegria que recebi a notícia de uma mobilização em defesa da educação pública e contra as privatizações no dia 4 de março na Califórnia (EUA). Travamos a mesma luta aqui no Brasil e por isso somos solidários à campanha levada por vocês.
A luta travada em defesa do ensino público é a mesma que também travamos contra as guerras imperialistas. Somos pelo fim das ocupações militares (Iraque, Afeganistão, Haiti, etc). Não entendemos como o presidente Barack Obama tenha ganho o prêmio Nobel da paz, mesmo mantendo tantas ocupações, destruindo nações em nome de riqueza e enviando os jovens do seu país pra morte contra as armas dos países que resistem.
Essa situação é conseqüência do sistema baseado em capital, que em seu atual estágio precisa retirar direitos dos trabalhadores para aumentar os lucros e reduzir o tamanho do Estado, com fins de diminuir a intervenção do mesmo na economia, a conseqüência disso é a escola depredada, sem merenda, quente e abafada, com quadras de esportes destruídas e inutilizadas nas épocas de chuvas.
E é por isso que a nossa luta em defesa da soberania nacional e dos serviços públicos também passa pela desocupação militar nos países em que ela existe, esse é o primeiro passo que se deve dar em busca da destruição desse sistema que é inimigo da classe trabalhadora, dos estudantes e dos movimentos sociais.
Estamos ao lado dos povos que lutam pelos seus direitos mais básicos: educação, saúde, cultura, etc.
Artur Ribeiro
Diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e Coordenador Geral do Grêmio do Livre do Centro de Ensino Médio 02 do Gama (DF) - Brasil"